domingo, 12 de abril de 2009

dura pouco.

"Querida Prudence, não vai sair para brincar?
Querida Prudence, cumprimente o novíssimo dia....
O sol está alto, o céu está azul,
É tão lindo, assim como você.
[...]"
Dear Prudence
The Beatles
Enfim, depois de um feriado quase perfeito, só pra variar, dou de nariz na realidade. De nariz mesmo, porque a imagino como um imenso, gigantesco, monumental muro de tijolos, pintado de branco-tédio, que quase me quebra a cara com a proximidade de cada nova semana.
Resumindo: fui do céu ao inferno em menos de quarenta minutos. Minha localização exata era segredo de estado; afinal, só quem faz dezoito anos percebe que nem toda a liberdade surge do além. Na verdade, a maioria dela some. Agora, se der merda, eu me fodo. Só vale a pena por poder comprar bebidas sozinha, sem ter que andar de dois a cinco bares, até encontrar alguém negligente o suficiente para te vender algo. Mas, ainda não é esse o ponto.
O que quero dizer mesmo é: depois de uma escapolida que me descabelou inteira, uma hora tive que vir para casa. E lembrar que havia um relatório de quimica geral para escrever, no qual já trabalhava há dois dias. Além da leitura de um roteiro de experimento. Além de uma monografia que vale quase metade de uma das notas da federal. E ainda tinha que pensar no que fazer com cálculo, uma matéria que já se mostra como causa perdida.

É nessas horas que penso que deveria ter estudado fotografia.
Mas, enquanto valer a pena o esforço... Vamos em frente.

terça-feira, 7 de abril de 2009

inutilidade.

"[...] Eu preciso da terra
para conhecer o inferno,
bem como de uma moeda
para mijar pela manhã.
Eu preciso do amor,
preciso todos os dias,
eu preciso de você
bem perto de mim.
Sonhei com um dia
de feira sob a lua,
Sonhei com uma vida
de dormir nessas manhãs.
Eu não preciso da morte
para rir do meu destino.
[...]"
Bessoin de la Lune
Manu Chao
Prova de cálculo, amanhã pelo começo da tarde. Hikari não tem idéia de como definir limites, demonstrar assintota, e deveria estar desesperada. Ainda assim, ela pára para ouvir músicas, ver tv com o pai, arrumar uma agenda inútil. Tudo isso enquanto espera o namorado no msn, e depois conversa com ela estudando de um jeito bem meia-boca.
Enfim, nada mudou muito em mim do ensino médio para a universidade: como sempre, nos primeiros dias, atenção total. Até medo. Depois, desleixo.
Nota: tomar jeito, e logo.
Nota 2: arranjar assunto para escrever.

quinta-feira, 19 de março de 2009

querer.

"Tudo é o tempo que será.
O teu sonho, teu olhar
pela janela que se abre e onde passas.
Tudo é meu corpo a percorrer
um caminho em teu querer
quando te escuto me chamar,
e como sempre
me chama pela tarde.
A vida é tão suave e eu me vou,
vou por entre os cabos,
centelhas de mensagens,
é o que sou.
[...]"
Manhã / Sinais de Fogo
Ana Carolina

A única coisa que passa por essa cabeça oca é aquele cheiro. Cheiro indescritível, que embala o meu sono. Que me lembra de dormir em um ombro, sentindo o calor daquela pele macia... E dormir profundamente. Da sensação de acordar fazendo manha, me espreguiçar amplamente e sorrir na penumbra. Aquele cheiro que me acompanha pelo dia, e do qual me lembro em horas assim, de sono.
E só de lembrar que me aproximo de mais um dia assim, o coração bate mais forte.

Pequena divagação de gente que precisa ir dormir e acordar pela manhã. Sozinha.

sexta-feira, 6 de março de 2009

lar.

"Eu não soube o peso do mundo que estava em seus ombros.
Não soube que você estava triste, que você estava mal.
Eu prossigo como se nada estivesse errado,
sem razões para preocupação.
Tarde demais para lamentar sobre o tempo perdido.
Não há respostas, nenhuma saída fácil.
Pegue tudo, se você quiser. [...]"

Sweet Virginia
Gomez
É complicado nunca se sentir de fato em casa. Complicado, aliás, é eufemismo.
Já fazem anos que não me sinto livre para ser eu mesma em tempo integral. Algumas vezes sinto mais falta, em outras menos. Em outras simplesmente assumo a máscara - ela se encaixa tão bem, que o papel soa natural até para a atriz.
Já gostei de ficar um dia inteiro de pijama, andando pra lá e pra cá, da sala pra cozinha, cozinha pro quarto, me estirar no sofá em frente à televisão... E também já houveram dias em que simplesmente não tinha para onde ir, então, permanecia.
Ao crescer, fui percebendo que nada disso me pertencia inteiramente. Que muitas coisas que eu queria não me eram possiveis nesse ambiente.
É um exagero, mas qualquer pessoa que mora em um lar que não seja inteiramente seu - como eu e meu pai, que vivemos sob o teto de minha vó - se sente como um intruso, ao menos uma vez por semana... E quando essa melancolia vem, dói profundamente. Querer fazer alguma coisa, das mais bobas, como colocar um quadro na parede, até as mais audaciosas, como derrubar uma parede, mudar a cor dos cômodos, tudo sujeito à aprovação e desaprovação de outrem. E sem direito à opinião, na maioria das vezes - até que a boa vontade do individuo favoreça uma discussão.

Nada disso faz sentido para a maioria das pessoas com quem tentei discutir.
É o que me deixa mais irritada ainda. Ser uma exeção em algo tão banal, como se sentir acolhido.

domingo, 1 de março de 2009

monólogo da noite vazia.

"[...] Ei, meu amor, você veio a mim
como vinho vem a esta boca
que cansou-se de água o tempo todo.
Você satisfaz meu coração,
e você satisfaz minha mente. [...]"

Two Step
Dave Matthews Band

Boa sorte a quem for ler. Provavelmente, não há sentido no que escrevi. Não se esforcem para compreender.

Preciso aprender a controlar as borboletas em meu estômago. Revoltosas, elas voam, revoam, clamam por seu néctar. São burrinhas, como eu mesma. Por vezes se esquecem que podem esbarrar em obstáculos, acabar sangrando.
A verdade é que nunca, como neste instante, odiei tanto as palavras.
São poucas. Insuficientes, imensuráveis perto do que sinto. E fracas. E patéticas. Nenhuma expressão jamais conseguirá exprimir meu desejo de voltar. Nem os calafrios. Nem os lábios mordidos, dedos trançados, pernas bambas, a sensação das bocas juntas, os abraços. O cheiro daquela pele, que me persegue... E muito menos a palpitação do sangue, me aquecendo por inteiro. Me deixando toda vermelha, sem jeito, e sem senso de ridiculo, de mim, dos outros. Como um narcótico, cujo efeito não desaparece facilmente.
Quanto mais complexo o conjunto de letras, mais se torna dificil para meu pobre cérebro calcular todas as variáveis e encontrar uma explicação que faça juz ao tremor na boca de meu estômago.

Mais fácil me conformar em relembrar, o contato, as risadas, os sussurros.
E agora, que já desisti de nomear essa qualquer coisa que qualquer um diga compreender (em vão, já que ninguém mais vê o mundo com as mesmas cores que esta que voz fala)... Talvez consiga dormir. E sonhar. Talvez até mesmo sentir.

No dia em que eu conseguir finalmente me expressar... Espero ter a palavra certa e esperada, na ponta da língua. E usá-la em toda a plenitude, conseguir conjugar perfeitamente os verbos relacionados. Sem enganos.

Portanto, para garantir certa segurança em tal campo minado, melhor dar um passo de cada vez.
Infelizmente, o primeiro (racionalizar e escrever) não parece ter dado muito certo.

Aah, se soubesse como me atordoa, e como exagero...
Afinal, este é meu draminha pessoal.
E o quanto me apego, pouco a pouco...
E a falta que faz nesse inicio de madrugada.

Cada segundo que passa é um segundo mais longe daquele momento...
Mas mais perto de outros que virão.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

indignação.

"Vamos falar de pesticida
E de tragédias radioativas
De doenças incuráveis
Vamos falar de sua vida.
Preste atenção ao que eles dizem
Ter esperança é hipocrisia
A felicidade é uma metira
E a mentira é salvação.
[...]"
Natália
Legião Urbana

Moro em um bairro relativamente calmo, na cidade de Curitiba. Se chama Hauer. Ele tem meia dúzia de ruas rápidas, casas antiguíssimas, com mais de quarenta anos (a da minha familia se encaixa nesse caso), sobrados novos que abrigam familias pequenas. Um bairrinho comum, pacato, com ausência de calçadas na maior parte das quadras, e muitas árvores dentro dos lotes.
Ontem, saí de casa tranquilamente para andar até a rápida mais cheia de lojas, para procurar tinta para cabelo. Mal atravessei o portão, e me deparei com a pior hora do dia: a saída dos colégios públicos ao redor.
Nada contra escolas públicas. O meu problema é com adolescentes estupidos e crianças burras. E essas criaturas desprovidas de massa cerebral existem em todas as classes sociais.
Na rua da minha casa, mora uma mulher de mais ou menos sessenta anos, junto com sua mãe - sim, pasmem. O Hauer ter uma expectativa de vida absurdamente alta. Ela tem um tipo de deficiência mental, e aparenta ser, sinceramente, muito quieta. Não fala, e também não ouve. Passa a maior parte do tempo olhando tudo, retribuindo sorrisos e acenos na rua.
Quando vim morar com minha avó, essas vizinhas costumavam vir muito à minha casa. Lógicamente, aos dez anos, não é uma coisa confortável tentar conversar com alguém que só dá sorrisos distantes, e mal olha nos seus olhos. Minha reação era corar, ficar sem jeito e me encolher, dando mais sorrisos educados. Depois, como criança sensivel que era, eu me desfazia em lágrimas contra o mundo injusto e blá, blá, blá. Não que hoje ele pareça mais justo. Apenas me conformei.
Enfim. Agora é que tudo se liga. Não, eu não estava perdendo o juizo e fazendo relatos sem pé nem cabeça. E não importa o que qualquer professor de redação diga.
Ontem, saí de casa, como ia dizendo. Do meu portão, avistei um grupo de crianças olhando para dentro do portão de minhas vizinhas. No inicio, me preocupei, pela idade de ambas. Achei que alguma coisa tivesse acontecido, e corri para ver.
As criaturas riam. Minha vizinha olhava para eles, como se não entendesse, imóvel. Sua mãe não estava lá. De dentro do portão, ela via gestos ofensivos. A chamavam de louca, de lelé. Chegavam a xingar.
Me emputeci, tive vontade de dar um corridão em cada moleque magrelo. De arrastar aquelas menininhas imbecis pelos cabelos e entregar pros pais. E ainda triunfar. "Vai dar educação pra essa coisa que tu chama de filho". Isso que normalmente sou pacifica, até meio covarde.
Felizmente, o bom-senso falou mais alto, e decidi apenas dar uma bronca - os pais de seres tão insensiveis não devem ser melhores que eles. A pobre mulher não decidiu ter problemas. E nem podia ser ela a tomar essa briga. Qualquer um pode sofrer um golpe do destino.

Mal consegui dormir. O acontecimento mexeu com meus brios de uma forma assustadora.
Senhoras e senhores. Aqueles monstros são o futuro da nossa nação.
Que lástima.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

teorias.

"[...] Minha cabeça está fria,
Minhas mãos estão frias,
Meu coração está frio.
Meu coração está negro,
E pára toda maldita noite.
Toda noite, eu espero até que pare.

Cantem, pássaros,
Cantem, pássaros,
Cantem, pássaros,
Cantem!
Vão embora."

Give Me It
The Cure

No fim, todos estamos perdidos.
Lógicamente, faço uma generalização de um sentimento pessoal - me parece mais coerente no contexto literário do que dizer "oi, sou uma vítima do transtorno bipolar!".
Até agora, só consegui estabelecer este enunciado com total clareza. Não consigo definir porque determinadas pessoas parecem mais sem rumo do que outras, ou porque em alguns momentos simplesmente não sentimos o quão desamparados estamos. Mas tenho algumas teorias.
A primeira delas é a de que todos procuramos coisas diferentes. Por isso, certas criaturas demonstram menos necessidade de ser amparadas, ajudadas. De buscar o impossível.
Mas como isso parece simples demais, e de certa forma, assustadoramente careta para merecer uma maior exploração filosófica, optei por prosseguir para a segunda sem mais delongas.
Acredito que o pensamento mais coerente que passou por essa pequena cabeça perturbada, foi o seguinte:
  1. fato, estamos perdidos. Todos, absoluta e irremediavelmente perdidos.
  2. estamos confusos a ponto de sequer saber o que ou onde procurar. Sequer saber de que natureza - material, espiritual, ou qualquer outro "al" que puder ser imaginado. E "ais" que jamais suspeitamos ou suspeitaremos que existiram, existem ou existirão;
  3. por incrivel que pareça, esta "coisa" pela qual buscamos é comum. A todos. E justamente por não conseguirmos ter noção das inclinações dos outros para encontrar "aquilo" - pois todos temos um tipo de bússola apontando para o que quer que seja. De outra forma, seria absurdamente mais injusto do que já é encontrar o "troço" - ironia, ironia~~!;
  4. ocasionalmente, não percebemos o quão falta sentido em nossas existências. Isso acontece pois encontramos "distrações" no meio do caminho. Como, no caminho pra casa de um amigo para comer pizza, receber o telefonema de alguém convidando para um open bar;
  5. tais desvios oferecem conforto momentâneo, mas não duram muito;
  6. sim, dá perfeitamente para viver com esses espamos de alegria. E é por isso que - me espanque quem quer que duvide! - toda a pessoa que se julga feliz também tem seus momentos de depressão;
  7. alguns são mais sensiveis que outros. Daí em diante, segue a clássica classificação: fresco (a), emo, perturbado (a), psicótico (a), estranho (a), etc...
Até que saiu melhor do que pensei.
Passei anos imaginando isso. Desde conseguir idealizar, até transformar em palavras - começou com aquele estranho aperto no coração, que a maioria das pessoas ignora -, organizá-las... E agora, os rabiscos finalmente trazem alivio, ao esvaziar uma parte da cabeça.
As palavras já não são minhas. São de quem quiser ler e tirar idéias.